29 de dezembro de 2011

2012: ano do voluntariado

Ontem comentei com alguém que sentirei falta das histórias e das pessoas do Centro Quimioterápico. E então ouvi: "mas quem disse que você tem que se afastar de lá totalmente?"


Agora estou pensando seriamente em fazer algum tipo de trabalho voluntário com as pessoinhas especiais que lá frequentam. Existem várias Casas de Apoio que merecem e precisam de muita ajuda. 
Procurarei saber a respeito assim que 2012 chegar, ou seja, segunda-feira. Quem quiser vir comigo, ficarei feliz também.

Li que 2012 será o ano da música, do trabalho voluntário e de uma postura mais sensível. Fica a dica.
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28 de dezembro de 2011

30ª e última sessão!!!

Oi pessoas!
Enfim, terminou.
Fiz minha trigésima sessão hoje. Chorei tanto, não me perguntem o motivo exato. Sei lá, uma mistura de sentimentos. Muitos abraços: Dra.Maria Nunes, enfermeiras, meninas da recepção... Gostaria de ter levado uma lembrancinha para cada uma delas, mas ainda há tempo, dia 18/01/2012 estarei lá novamente. Vou pedir para Mainha Que Faz fazer algo para que eu leve no dia do meu retorno.
Terei que fazer uma tomografia do abdômen e também uma série de exames de sangue. Então no dia 18/01 retorno ao Centro Quimioterápico para minha médica avaliar os resultados. E se Deus quiser, serão os melhores possíveis.


Hoje conheci Artur, de Montes Claros. Ele tem cinco anos e teve câncer nas duas retinas, mais um deficiente visual em fase de adaptação. Os olhos foram retirados e no direito ele já usa uma prótese, em breve o olho esquerdo também receberá. Ele é lindo, alegre e super inteligente. Certa hora, ele pediu à mãe para levá-lo até a saída para que pudesse ouvir o movimento dos carros na rua. Então a mãe respondeu: "vai sozinho, eu vou te falando pra onde você vai virar". Mas ele ainda tem medo, a cegueira é algo muito novo para ele, ainda mais que não nasceu assim, até os dois anos de idade ele enxergava perfeitamente. A mãe tenta de todas as formas adaptá-lo à nova condição, mas não é uma tarefa fácil.
Mais uma vez a gente se questiona: por que seres tão inocentes e puros tem que passar por isso?
E como nada é em vão, continuamos com a boa e velha resposta: porque tinha que ser assim e pronto.


Confesso que sentirei falta das histórias de vida, das pessoas e de contar tudo para vocês aqui.
Adeus quimioterapia, obrigada por tudo. Obrigada por ajudar a me salvar...

21 de dezembro de 2011

29ª sessão


Ufa... Na reta final, só esperando a bandeirada!
Depois de (pra variar) mais uma noite mal dormida, eis que chegou minha penúltima sessão. Bom demais. Sensação de alívio começando a pairar...

A Dra. Maria Nunes me disse que terei que fazer uma bateria de exames assim que a quimioterapia acabar. Por isso terei que voltar ao Centro Quimioterápico da Santa Casa mais algumas vezes ainda no mês de janeiro. E também tenho que retornar ao louvável Dr. Andy Petroianu para outras revisões.
Enfim, a quimio acabou, mas a vida no hospital não. Mas é assim mesmo, eu já imaginava que seria assim, normal e mais do que necessário. 
Pensei que poderia pedir ao INSS para voltar a trabalhar em janeiro - minha licença só termina no dia 31/01/2012, mas acho melhor não. 
Também quero ir ao gastro e à minha ginecologista para algumas revisões - necessárias tanto quanto às revisões por conta d término da quimio.

Hoje conheci Luis Eduardo e Simone, ambos com leucemia - dessa vez não são crianças. 
É que eles estavam reclamando da demora para o exame de sangue ficar pronto (temos que monitorar as plaquetas e as hemácias antes de cada sessão) e eu tive que entrar na conversa para perguntar: por que não fazem o exame um dia antes como eu? E eles me disseram que o médico deles não gosta... Ainda bem que Dra. Maria Nunes não é assim tão rígida. Talvez no meu caso não seja necessária tanta rigidez. 
Enfim, ele é daqui de BH mesmo e ela de Pedro Leopoldo (região metropolitana). Eles estão bem, ambos carecas, e a saúde está controladamente bem. Ele fará tratamento até 2014 e ela ainda não sabe quando terminará. 
A leucemia se apresenta sob várias formas, por isso tantas diferenças nos tratamentos. Alguns precisam de transplantes de medula, outros não. Percebi que a grande maioria descobriu a leucemia por dois sintomas básicos: manchas roxas na pele (sem explicação) e dores de cabeça que não cessam. 

Bom gente, é isso aí. Semana que vem me despeço de vocês nas postagens sobre as minhas sessões de quimioterapia, mas não pararei de postar sobre outros temas e também contarei para vocês como foram os exames ok?!

Beijos e boa noite.
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14 de dezembro de 2011

28ª sessão

Boa noite!
Acabei de chegar da Confraternização da empresa em que (graças a Deus) trabalho.
Nossa, foi muito bom. Fui muito bem recebida por todos mesmo depois de dez meses de afastamento, e tive excelentes notícias no que diz respeito ao meu retorno ao trabalho.
Conversei por horas com o "fodão" do Jorge. Porra, ele é um cara muito bacana, não havia tido tempo para conversar assim com ele, trabalhei apenas um mês lá e logo em seguida descobri o câncer.
Ele ganhou minha total admiração. E é "fodão" mesmo.
Andréa, Neles, Amanda, Jorge e Marcelo, o meu muito obrigada.


Bem, vamos à sessão de hoje.
Acreditam que saí de lá quase três horas da tarde?!?!? Nossa, hoje estava tudo muito lento, muito cheio, necessitando de muita paciência de todos nós, que por ironia do destino, somos chamados de PACIENTES, rss.


Hoje conheci a história de Larissa. Ela tem nove anos, é de Esmeraldas e teve câncer no cérebro.
O tumor foi retirado, porém, deixou uma delicada sequela: ela perdeu totalmente a visão.
Nunca tinha visto a garota por lá, hoje foi a primeira vez.
Já passava do meio dia (e eu ainda não havia sido atendida) e a vó dela estava abrindo um marmitex de almoço ali mesmo, na sala de espera.
Larissa disse assim:
- Deixa que eu como sozinha!
Então me deparei com uma deficiente visual tentando apalpar a comida, ainda adaptando-se à condição de "portadora de necessidades especiais".
Meus olhos se encheram d'água, não aguentei gente, não mesmo. Tive que chegar perto e conversar, tocar em Larissa, fazer um carinho. Perguntei se a comida estava gostosa e ela disse que sim. Ofereci um suco pra ela tomar junto com o almoço, ela aceitou. Fui ao restaurante em frente ao Centro Quimioterápico e comprei um suco de caixinha e um chocolate pra ela, que ficou toda feliz, e a vó dela mais ainda.
As pessoas lá são, em sua grande maioria, muito, muito, muito humildes.


Quando voltei, sentei do ladinho de Larissa. Os cabelos caíram com as sessões de quimio mas já estão crescendo novamente. A vó dela disse que ela não gosta de sair na rua quando está em casa (Esmeraldas) porque está com o cabelo igual de menino e se sente gordinha (com certeza por conta dos corticóides que tomamos). Respondi fazendo carinho nos cabelos dela, dizendo que não, que ela estava ótima, que era pra parar de bobagem. Ela é uma menina muito bonitinha - a propósito, preciso comprar uma máquina fotográfica, gostaria que vocês, meus leitores, conhecessem cada uma das pessoinhas maravilhosas que cito aqui.


Minha senha apareceu no painel e tive que entrar para tomar a medicação, queria ter conversado mais. Mas com certeza não faltarão oportunidades. Eu quero voltar ao Centro Quimioterápico mesmo depois que tudo isso acabar - pra mim.


Pra terminar, revi também Dona Jacira e Seu Geraldo, continuam fofos e as sessões dela também devem terminar agora no final do ano.


Beijos e boa noite.

9 de dezembro de 2011

27ª sessão

Bom dia (já passa da 00h00)!
Ontem acordei tãaaaaao cedo que foi foda aguentar ir pra quimio viu?! Nossa...
Mas foi por uma justa causa.
Falta muito, muito, muito pouco agora, mais três semanas e foi...! Já era!
Como passou rápido, outro dia mesmo era fevereiro e eu estava lá na Santa Casa, toda "costurada", rs. Agora já está tudo bem, graças a Deus. Faltando apenas três sessões e sem nenhuma queda de cabelo.


Ontem encontrei a mãe da Nara. Infelizmente ela está internada pois a última dose que tomou de Vincristina veio com muita febre e quando é assim o médico sempre indica a internação. Em compensação ela já retirou a sonda, menos um problema. E a carinha boa continua. Ela é uma fofa, gostaria de uma foto dela aqui também, vocês iriam adorar conhecê-la.
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Diário

fico parada observando o nada, a torneira que pinga achando estranho uma pessoa que tropeça e não xinga mas na verdade eu morro é de dó ...