27 de setembro de 2011

17ª sessão

Boa noite.
Cheguei da quimio e dei uma deitadinha básica, hoje foi dia de "chá de cadeira" mais uma vez. Querendo ou não esperar cansa, irrita, enfim... Saí do Centro Quimioterápico já eram mais de 13h.


Bom, hoje não vi nenhum dos meus companheiros mirins, mas em compensação... Lembram do casal de velhinhos da semana passada? Pois é, os reencontrei hoje. E quantas coincidências...


Ela chama-se Jacira e teve câncer no intestino - assim como eu, nasceu em Pernambuco - assim como eu e mora aqui perto da Av. Cristiano Machado - assim como eu.

Conversamos muito, ela disse que continua com pouquíssimo apetite, que os filhos até compraram aquelas latas de suplementos alimentares (ensure, sustagem, etc.) para suprir a falta de nutrientes no organismo de Dona Jacira. Como até então o casal não sabia meu nome, me apelidaram de "a menina que come muito" (eu mereço!!! kkk).

Relembramos algumas coisas boas da nossa  terrinha natal (como a gastronomia) e contei que minha mãe até hoje faz alguns pratos típicos como cozido, tapioca e assim não deixamos morrer nossas raízes. Ela fez um "ôôô" de saudades.


Infelizmente, agora as sessões dela, que antes eram na terça junto comigo, foram transferidas para as segundas, então não os verei mais. O marido chama-se Geraldo mas é tratado carinhosamente por ela como "Véio", rss. A memória de Dona Jacira já não é mais a mesma e seu Geraldo está sempre corrigindo e lembrando algo que ela acabara de falar. E assim os dois vão vivendo. Um carinho e uma cumplicidade danada, ela disse que sem o "Véio" não estaria aqui mais.

Antes deles irem embora ela fez questão de me dar o endereço da casa dela e pedir que eu fosse lá fazer uma visita. Deu também o telefone pra eu ligar antes, porque aí o "véio" me pega no caminho para eu não ficar perdida no bairro, rs. Prometeu me fazer um cuscuz se eu for na parte da manhã e ficar o dia todo com eles. Olha que gracinha...


Alguém duvida de que quando meu tratamento terminar sentirei até falta dessas histórias semanais? Acho que não né?!
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8 comentários:

soniaoli disse...

Su, a cada post de sessão eu me emociono com suas histórias. E que grande coincidência hein? Mesmo problema de saúde, são vizinhos aqui em Minas, tão longe da terra natal de vocês! Eu acho que conhecendo Dona Jacira e Seu Geraldo você tenha se sentido um pouco mais confortável, um pouco mais em casa. Bom descanso! Beijo, me tuita!

Suzana Luna disse...

Verdade... E sem falar q Dona Jacira tem o jeitinho da minha falecida avó materna, que teve o mesmo problema que eu.

Soniaoli disse...

Não falei? E aqui, esqueci de dizer: a sua tapioca é o meu biju aqui, amooo! De vez em quando eu faço aqui em casa pra comer com café! Passa manteiga nele ainda quente e come pra ver se você não vai amar! Diliça!

Suzana Luna disse...

Sim, lá em Recife tbm usamos essa denominação, rs. Ainda quente com manteiga... Meu Deus!!! É delícia mesmo!

Andréia Gomes disse...

Ler as suas histórias é um *levanta Astral* pra qualquer um !
Obrigada por isso.

E, "menina que come muito" - eu não conheço tapioca... "/
Fica a dica ! =)

Suzana Luna disse...

rss Eles me ouviram conversando com a mãe de um paciente, eu contando que estava engordando e comendo bastante, daí o apelido "carinhoso".
E tapioca é a da foto, é feita com um tipo de farinha de mandioca, mais conhecida na minha terra como "goma". Dentro coloca-se côco fresco ralado e leite condensado (se quiser). Delícia!!! Mainha faz.

Andréia Gomes disse...

HAHA Gostei do apelido carinhoso !
Aí, eu quero a tapioca ^^

Drika disse...

Hummmm! Tapioca de Avani é tudo de bom. Tem um tempão q não como nenhuma comidinha dela.
E o "cuzido", héim? deliiiiicia!
Bjos no coração!
Te amo até no coração!

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