13 de outubro de 2009

O REINO



A história - que vou tentar contar - fala de um pequeno reino. Naquela ocasião ele estava completamente desabitado, mas nem por isso deixava de ser encantado. Lá nem sempre foi “terra de ninguém” e a ideia era que não continuasse assim, por isso mantinha-se interessante, apesar de deserto. Os moradores anteriores sentem muita falta do lugar que os abrigou e sempre falam daquele reino num tom saudosista. Elogiam sua paisagem e a vista que tinham do horizonte quando por lá viviam. Era a forma mais deliciosa que seus olhos já haviam experimentado de enxergar o mundo. Terra do aconchego, do “à vontade”. Desse lugar eles carregarão para o resto de suas vidas momentos que deveriam ser intermináveis, momentos que riam do tempo por acreditarem que ali ele não passaria (pura utopia). Dificilmente um morador saía de lá por vontade própria e quando isso acontecia o arrependimento era certo.
Após uma longa temporada de calmaria, ouviu-se novamente um barulho no lugar.
Era alguém querendo entrar! Ora, depois de tanto tempo sem habitantes a tranquilidade já era certa ali, seria interessante arriscar? Deixar mais um forasteiro entrar e fazer daquele lugar seu? Acontece que aquele reino, ao contrário dos outros, não tinha um rei, não tinha uma lei. Era democraticamente aberto, receptivo. As coisas aconteciam por lá pelo viés da absorção. Os forasteiros encontravam os portões abertos e entravam, eram absorvidos (ou não) pelo lugar. Um de cada vez. Absorvido. Depois expelido - como numa “regurgitofagia”. E foi justamente o que aconteceu com esse último.
Ele foi absorvido, sugado, envolvido, deglutido pelo lugar. E desde então, aquele reino não foi mais o mesmo, tornou-se um lugar mais brilhante. A alegria voltava a azulejar suas paredes e a esperança a revitalizar suas cores. Era a vida em ebulição novamente.
E assim foi... Por dias - que pareceram infinitos.
Uma estadia intensa, descortinada de pudores, despida de valores fúteis. Apenas uma sensação de que as preces foram atendidas, mesmo as que sequer foram feitas, foram atendidas.
(Uma tarde qualquer...)
Estranha sensação. Como num passe de mágica, tudo ali ficou vazio novamente.
Aquele último morador, que desencadeou um processo de renascimento do local havia ido embora. Sem causa aparente, sem aviso prévio. Apenas se foi. Rápido como um sopro, mas com a fúria de um tufão, devastador, inesquecível, que deixa seus rastros, suas marcas por onde passa.Dia desses, pela manhã eu pude ver os portões escancarados novamente.
Uma placa dizia: “HÁ VAGAS”.

(30/09/2009)

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Um comentário:

Erika disse...

aaaaaaaa.....eu fui a primeira a ler esseeeee.... heheheh ou umas das primeiras !!! heheh

amooo tudo que vc escreve flor .... vc é 10000

bjussss

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