29 de outubro de 2009

E explica?

Agora sim...
Depois de ver essa quantidade de definições pro "tempo", não há como negar que ele é complexo e volúvel para cada um, falando ou não literalmente.
Hoje (por acaso "tempo presente", rs), sinto que o tempo da mesma forma que parece passar rapidamente, segue preguiçoso, como se não quisesse ir, como se precisasse legitimar alguns fatos através da sua duração. Duração essa aparentemente longa ou curta, mas é sempre aparente. Confesso que ele me engana bem.
Ontem mesmo descobri que trinta dias se foram como se trezentos dias fossem.
Enganou-me.
E fiquei muito feliz em ser sabotada por ele.
Tempo.
Às vezes um minuto é sinônimo de uma eternidade, uma encarnação, outras, um minuto é nada. A variável dessa equação é o cenário e os personagens à sua volta.
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tempo


m.
s.m.

1. Série ininterrupta e eterna de instantes.

2. Medida arbitrária da duração das coisas.

3. Época determinada.

4. Prazo, demora.

5. Estação, quadra própria.

6. Época (relativamente a certas circunstâncias da vida, ao estado das coisas, aos costumes, às opiniões).

7. Estado da atmosfera.

8. Por ext. Temporal, tormenta.

9. Duração do serviço militar, judicial, docente, etc.

10. A época determinada em que se realizou um facto ou existiu uma personagem.

11. Vagar, ocasião, oportunidade.

12. Gram. Inflexões do verbo que designam com relação à actualidade!atualidade, a época da acção!ação ou do estado.

13. Mús. Cada uma das divisões do compasso.

14. Poét. Diferentes divisões do verso segundo as sílabas e os acentos tónicos.

15. Esgr. Instante preciso do movimento em que se deve efectuar!efetuar uma das suas partes.

16. Geol. Época correspondente à formação de uma determinada camada da crusta terrestre.







23 de outubro de 2009

DA CHEGADA DO AMOR - Elisa Lucinda



"Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.
Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
esse beijo
no clarão da amanhecice.


Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.
Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.


(...)"

Chuva cidadã

Ontem pela manhã, estacionei um tanto quanto longe da porta da empresa. Chovia torrencialmente.
Para meu espanto, ao descer do carro um senhor cavalheiro me abordou oferecendo "carona" em seu gigantesco guarda-chuva até a portaria do prédio. Não é fantástico?!
A dose que recebi de boa educação misturada com cavalheirismo e cidadania me fez refletir...
Talvez a humanidade ainda tenha salvação sim.

13 de outubro de 2009

Saudade - por Clarice Lispector


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

O REINO



A história - que vou tentar contar - fala de um pequeno reino. Naquela ocasião ele estava completamente desabitado, mas nem por isso deixava de ser encantado. Lá nem sempre foi “terra de ninguém” e a ideia era que não continuasse assim, por isso mantinha-se interessante, apesar de deserto. Os moradores anteriores sentem muita falta do lugar que os abrigou e sempre falam daquele reino num tom saudosista. Elogiam sua paisagem e a vista que tinham do horizonte quando por lá viviam. Era a forma mais deliciosa que seus olhos já haviam experimentado de enxergar o mundo. Terra do aconchego, do “à vontade”. Desse lugar eles carregarão para o resto de suas vidas momentos que deveriam ser intermináveis, momentos que riam do tempo por acreditarem que ali ele não passaria (pura utopia). Dificilmente um morador saía de lá por vontade própria e quando isso acontecia o arrependimento era certo.
Após uma longa temporada de calmaria, ouviu-se novamente um barulho no lugar.
Era alguém querendo entrar! Ora, depois de tanto tempo sem habitantes a tranquilidade já era certa ali, seria interessante arriscar? Deixar mais um forasteiro entrar e fazer daquele lugar seu? Acontece que aquele reino, ao contrário dos outros, não tinha um rei, não tinha uma lei. Era democraticamente aberto, receptivo. As coisas aconteciam por lá pelo viés da absorção. Os forasteiros encontravam os portões abertos e entravam, eram absorvidos (ou não) pelo lugar. Um de cada vez. Absorvido. Depois expelido - como numa “regurgitofagia”. E foi justamente o que aconteceu com esse último.
Ele foi absorvido, sugado, envolvido, deglutido pelo lugar. E desde então, aquele reino não foi mais o mesmo, tornou-se um lugar mais brilhante. A alegria voltava a azulejar suas paredes e a esperança a revitalizar suas cores. Era a vida em ebulição novamente.
E assim foi... Por dias - que pareceram infinitos.
Uma estadia intensa, descortinada de pudores, despida de valores fúteis. Apenas uma sensação de que as preces foram atendidas, mesmo as que sequer foram feitas, foram atendidas.
(Uma tarde qualquer...)
Estranha sensação. Como num passe de mágica, tudo ali ficou vazio novamente.
Aquele último morador, que desencadeou um processo de renascimento do local havia ido embora. Sem causa aparente, sem aviso prévio. Apenas se foi. Rápido como um sopro, mas com a fúria de um tufão, devastador, inesquecível, que deixa seus rastros, suas marcas por onde passa.Dia desses, pela manhã eu pude ver os portões escancarados novamente.
Uma placa dizia: “HÁ VAGAS”.

(30/09/2009)

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SINTO, DE SEGURANÇA?


O uso do SINTO pode causar
lesões graves no peito,
bem próximo ao coração.

Acidentes sempre acontecerão
com vítimas fatais ou não.
Peitos seguirão machucados
marcados
pela pressão do SINTO
em colisões inesperadas.

Tente dirigir a sua vida
sem preocupar-se com ele
ou apenas aperte-o levemente
(se conseguir).

Para sua segurança
NÃO use o SINTO,
não sinta!

(o sinal abriu)

Mas e se o policiamento
da vida quiser multar?
Ele tem todo o direito,
afinal de contas aprendemos desde sempre
que devemos usar o SINTO.

Temos que continuar a
correr

riscos.

Somos
seres pulsantes
viscerais
delirantes.
Admiradores das fortes emoções.

Sinto,
logo existo!

(antes que o sinal se feche)

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Diário

fico parada observando o nada, a torneira que pinga achando estranho uma pessoa que tropeça e não xinga mas na verdade eu morro é de dó ...