12 de julho de 2017

A temer



Nascemos e fomos adestrados para sentir medo.
Medo do desconhecido por todos
medo do que já foi vivido por tolos
medo do que virá aos poucos
medo de rejeitar o novo.

Nos ensinaram que devemos ser cautelosos,
mas além da cautela, sermos medrosos.
Medo de amar e ter que sofrer
medo de não amar, mas querer
medo de só sentir prazer
medo de ser a gente mesmo pra viver.

Mas no fundo o que você deve temer
é uma democracia que te faz padecer
é um governo que não vai te acolher
é um futuro que você não vai merecer
é de não ter dignidade nem pra morrer.


25 de abril de 2017

E a gente fica



A vida às vezes nos prega peças.

Prega pregos e
nos prega até pessoas.

Depois desprega
desprende
desbota
e se despede.

Peças, pregos e pessoas.

Como lápis no papel
a sombra fica, mesmo depois de bem apagado
mas aí o tempo passa
e a gente vai esquecendo o que havia ali desenhado.

E fica mesmo desbotado
desapercebido
desencostado.


E a gente vai ficando aliviado.






28 de março de 2017

Férias além das viagens



O que era para ser apenas uma viagem de férias com destino à minha terra natal - Pernambuco, tornou-se uma visita às memórias afetivas e gastronômicas e uma compreensão de algumas heranças genéticas.

Relembrando: vim morar em BH no final dos anos 80, com meus pais e meu irmão. E só consegui voltar a Pernambuco no réveillon de 2012/2013, sim, bastante tempo longe. 
Agora, 4 anos depois, eu decidi que minhas férias seriam lá. E mais: que não ficaria em hotel dessa vez, mas sim na casa de parentes, dividindo esse tempo entre a família materna e a paterna.

E assim foi.
E em meio a passeios, comidas, histórias e conversas, eu pude entender melhor de onde eu vim, porque sou "assim" e porque escolhi não ser mais "assim". Reafirmei minhas raízes e aumentei ainda mais meu amor às cidades de Recife e de Olinda.

É maravilhoso se sentir parte de um estado como Pernambuco. E o sotaque... Ah, como eu gosto daquele sotaque. 

Calma, sem ciúmes, porque você Minas Gerais, cronologicamente você me pariu! Sou mineiríssima! Aos 41 anos de idade eu já moro aqui há quase 30. E tenho muito a agradecer por tudo que conquistei até hoje.

Enfim, que possamos viajar sempre, viajar muito e tirar proveito de cada rota escolhida.




7 de fevereiro de 2017

Sopro



Seus planos embarcaram em outro vagão,
seus sonhos foram pintados de preto.
E sem aviso prévio, sem informação,
ficou torto o que antes era tão perfeito.

Suas memórias agora impressas em folhas soltas
sem índice, sem ordem, sem numeração.
Você anda, mas sente que está só dando voltas
como num labirinto, sem paredes, sem direção.

Tente enxergar algo para se agarrar
para manter-se firme onde está
ou então espere que o vento sopre
e te carregue daqui para outro lugar.



9 de novembro de 2016

Tônicas




vire a página
enxugue a lágrima
ative o cérebro
encare a próxima 
compre o mínimo
sinta a síndrome
mude o ângulo
fuja do tráfego
reconheça o póstumo
e ouça a música  
pode ser a última...









A temer

Nascemos e fomos adestrados para sentir medo. Medo do desconhecido por todos medo do que já foi vivido por tolos medo do que virá a...